segunda-feira, 11 de maio de 2009


1 – o QUE É MARCHETARIA

Existem várias definições já consagradas e aqui apresento uma delas:
Marchetaria (do francês, marqueter, embutir): Arte de ornamentar as superfícies planas de móveis, painéis, pisos, tetos, através da aplicação de materiais diversos, tais como: madeira, metais, pedras, plásticos, madrepérola, marfim e chifres de animais, tendo como principal suporte a madeira. De acordo com a técnica utilizada pode-se construir objetos tridimensionais, esculturas, utilitários, jóias, etc.
Histórico: Os primeiros registros conhecidos - incrustações em mármore - foram encontrados em Halicarnasso, no Palácio do Rei Mausolo (aproximadamente 350 a.C.). A primeira técnica (tarsia certosina) utilizada consistia no recorte de elementos do material a ser utilizado (pedra, madeira, metal, etc.) e a posterior incrustação nas cavidades abertas nas superfícies maciças, com o auxílio de formões ou ferramentas similares; para sua fixação utilizava-se cola.
Posteriormente, desenvolveram-se muitas outras técnicas. As principais utilizadas atualmente são:
· Tarsia a topo ou Marqueterie à bloc - Marchetaria maciça, utilizada na fabricação de utilitários, bijuteria, filetes decorativos, esculturas.
· Tarsia Geométrica - Recorte de motivos geométricos para revestimento de móveis, lambris, caixas, painéis internos, mesas, cadeiras.
· Marqueterie de Paille - Marchetaria de palha (folhas de plantas desidratadas). Mesmas aplicações da Tarsia Geométrica.
· Tarsia por Incrustação ou Technique Boulle - Recorte simultâneo das partes a serem montadas. Aplicações: Idem acima.
· Procéde Classique ou Element par Element - Recorte separado das partes a serem montadas. Aplicações: Idem acima.
Após o desmembramento do Império Romano, este meio de expressão artística esteve a ponto de perder-se; entretanto, alguns poucos fizeram com que subsistisse na Itália, difundindo-se no início do século XIV, principalmente na região da Toscana.
No século XV a marchetaria era praticada em particular na cidade de Florença, tendo em Francesco di Giovanni di Mateo, fundador da Escola Florentina de Arte, seu principal expoente. Os mais célebres artesãos exerciam seu "metier" na região da Toscana; nesta época foi criada a Tarsia Geométrica. As superfícies a serem decoradas eram inteiramente recobertas com folhas de madeira, em lugar das incrustações;
Nesta mesma época, inicia-se o tingimento das madeiras com o uso de óleos penetrantes, corantes diluídos em água aquecida e ácidos. Areia aquecida era utilizada para o sombreamento das obras.
Durante a Renascença foi criada a Tarsia a Topo ou Marchetaria Maciça. Atualmente este procedimento é utilizado pelas indústrias de filetes decorativos. A Arte da Marchetaria segue evoluindo com os mestres italianos, que retratam, em suas obras, os edifícios característicos de suas vilas, ruas, praças, e também paisagens. Na segunda metade do século XVI, muitos gabinetes (tipo de móvel) são decorados com folhas de ébano; esta madeira, que havia sido também utilizada nos sarcófagos dos Faraós, se prestava para ser esculpida em baixo relevo; no entanto, por esta madeira ser cara e rara, era substituída pela pereira, enegrecida com auxílio de extrato de nogueira. Em várias partes do mundo a marchetaria era e ainda é produzida através dos procedimentos da Tarsia Certosina (incrustações) e da Tarsia Geométrica (revestimentos).
No Extremo Oriente são conhecidos, sobretudo os efeitos obtidos pelas incrustações de madrepérola na madeira maciça. No Oriente e nos países muçulmanos muitos móveis e pequenos objetos são revestidos com motivos geométricos. O Islã não aprova a reprodução da figura humana e de animais. As técnicas de corte, bem como o ferramental, seguem evoluindo, possibilitando assim que o corte das madeiras passe a ser feito de uma nova maneira, nas serras, ainda manuais, porém mais eficientes. Isto permite o corte de traços sinuosos com muita precisão e, assim, um maior detalhamento e maior nitidez de motivos complexos.
Por volta de 1620, sob a influência da Marchetaria Italiana, os motivos predominantes são as grotescas (ornamentos de figuras de fantasia) e arabescos; as técnicas de corte evoluem, possibilitando detalhes cada vez mais minuciosos, É nesta época que surge na Alemanha, a Tarsia por Incrustação (recorte simultâneo das partes a serem montadas). Mais tarde André-Charles Boulle, ebanista do Rei Luís XIV, aperfeiçoou esta técnica agregando vários materiais, tais como folhas de cobre, latão, casco de tartaruga, placas de osso e marfim. Com o passar do tempo, a Marchetaria entra em uma fase de decadência, mantida por não mais do que uma centena de artistas, ressurgindo, porém, com o advento da Art Nouveau; aparecem então os motivos estilizados, tais como: flores, pássaros, borboletas, insetos, etc.
Atualmente existem na Europa, América do Norte e Austrália muitos ateliês de marchetaria e associações de marcheteiros dispostos a não somente manter as antigas tradições da Arte em Madeira com refinadas criações artísticas de caráter contemporâneo, mas também a restauração de obras antigas. Ao longo do ano são realizadas várias exposições e há um mercado já consolidado neste campo. Áreas básicas de atuação do (a) Artesão (ã) da Marchetaria: Construção de objetos utilitários, Bijuteria, Reciclagem de móveis, Painéis para decoração, Quadros, Esculturas, Restauração.

domingo, 10 de maio de 2009